Um modo de viver o serviço junto aos migrantes

10959565_801320756588278_5105305199540205084_n“A Pátria é a terra que nos dá o pão” é o que dizia João Batista Scalabrini, Fundador da Congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos).

Estou certo de que a minha família viveu esta experiência de ter por Pátria a terra que nos dá o pão. Digo isto porque, muitas vezes, ouvi meus pais afirmarem: “Aqui no Paraguai ‘ganhamos’ a vida e construímos a nossa família”.

Meus pais, ainda jovens, três meses depois de casados, não encontrando condições favoráveis para levar uma vida digna no Brasil, migraram para o Paraguai nos inícios dos anos 1974. Nesta terra (Pátria) nascerão os 4 filhos. Sendo eu, Luiz Carlos, o terceiro filho da família.

Nasci em Santa Rosa del Monday (Paraguay) no ano 1979. Logo em seguida do meu nascimento, uma vez mais a minha família teve que emigrar, desta vez no interior do próprio País (Paraguai). Foi então que passamos viver em Santa Rita – PY. Ali vivi a minha adolescência e parte da minha juventude.

Filho de pais migrantes, pertencendo a paroquias administradas pelos Missionários Scalabrinianos, pouco a pouco fui vendo a atenção destes missionários em favor dos migrantes e não só, comecei a interrogar-me: se também eu não podia ser presença de Deus junto as pessoas na atenção aos migrantes. A experiência migratória vivida pela família, o testemunho missionário-pastoral dos sacerdotes Scalabrinianos, a reflexão e a oração pessoal favoreceram o meu crescimento no sentido do serviço. Sentindo-me chamado ao serviço junto aos irmãos mais necessitados encontrei a Congregação dos Missionários de São Carlos Scalabrinianos que tem por carisma a atenção aos migrantes, foi então que senti o chamado à vida missionária sacerdotal no carisma desta congregação.

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Ingressei no Centro de Orientação Vocacional (Seminário) de São Miguel do Iguaçu (Brasil). Neste seminário e nesta comunidade paroquial encontrei muitas pessoas de fé e grande apoio às vocações. Diante desta realidade e, para melhor responder ao chamado de Deus, procurei cultivar no dia-a-dia um espírito de oração e, pouco a pouco, fui reconhecendo mais claramente o chamado e a presença de Deus em minha vida. Por isso, nas várias etapas formativas sempre tratei de dar una resposta sincera ao chamado, através da atenção e na disponibilidade nos estudos, nas atividades pastorais e às realidades solicitadas.

Algumas experiências pastorais e missionárias realizadas ao longo do período dos estudos foram solidificando-me no espírito do serviço. Experiências marcantes em minhas atividades pastorais foram na Baixada Santista (Vicente Carvalho – São Paulo). Nesta comunidade encontrei e aprendi muito com as pessoas humildes, abertas à acolhida do outro e com um coração generoso e aberto, por isso mesmo, as vejo sendo pessoas de um grande espírito de fé         que se faz serviço.

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Outra experiência significativa em minha vida foi em 2011, na cidade de Manaus. Neste período chegavam em Manaus, e não só, vários migrantes provenientes do Haiti. Eram pessoas que mostravam em seus rostos as dificuldades que o migrar comporta: deixar a terra natal, os parentes, os amigos… e partir para outro lugar mesmo sem conhecer, mas ao mesmo tempo era visível no rosto destas pessoas migrantes a paixão pela vida, a alegria de um coração cheio de esperança, a serenidade de um coração cheio de vigor que está aberto a acolher a vida e tudo aquilo que esta nos brinda. Com estas pessoas migrantes senti mais forte em minha o quanto é grande o dom da vida partilhada, a vida a serviço dos irmãos.

Enriquecedora foi minha experiência vivida em Roma (Italia) entre os anos 2012 e 2013. Nesta nação encontrei e pude partilhar a vida com várias pessoas migrantes, com destaque à comunidade Caboverdiana em Roma. São pessoas de fé e de esperança que carregam em seus corações o sentido da vida doada concretizada na partilha da vida em comunidade. Nesta comunidade nós nos encontrávamos aos domingos para celebrar a fé e partilhar a vida, aos quais sou imensamente grato.

Destaco também a minha caminhada formativa (estudos), em todos os lugares que vivi, os companheiros de estudos que encontrei sempre foram oportunidades de crescimento pessoal. Os colegas de estudos me ensinaram e me ajudaram a compreender ainda mais o sentido da vida a ser doada, a vida a serviço do outro. A estes sou imensamente grato.

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Diante de tanto bem recebido no convívio com os irmãos e da vida a serviço compreendo que todos somos chamados a colaborar para o bem comum no serviço daqueles que mais precisam de nós, próximos ou distantes. Cada um de nós também é convocado a estar aberto para receber o outro que vem ao nosso encontro e nos quer doar e servir. Juntos, no serviço e na doação, somos e nos enriquecemos cada dia mais, pois a interação relacional e serviçal nos humaniza. Compreendo que a vida colocada a serviço é um dom de Deus nosso criador, assim como chamou a mim, ele continua chamando novas pessoas, discípulas e missionárias, a exemplo de Jesus Cristo para fazerem de suas vidas uma constante doação. É bom estarmos atentos aos chamados do criador para respondermos com sinceridade e gratidão colocando-se a serviço dos irmãos. É na realidade da vida que Ele nos chama, é também ali que podemos responder.

Grande abraço e que Deus criador feito homem no Filho Jesus Cristo peregrino seja nosso Mestre e Senhor hoje e sempre.

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